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Sábado, 24 Novembro 2012 01:02 |
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A necessidade dos governos de todo o mundo tomarem medidas urgentes e eficazes no sentido de reduzir significativamente as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), na origem do problema das alterações climáticas, confronta-se com um problema fundamental: como convencer os cidadãos a aceitarem medidas que vão alterar profundamente os seus estilos de vida, em nome de um problema cujas causas e consequências não são claramente perceptíveis?
O horizonte limitado dos ciclos políticos esbarra com a necessidade de se tomarem medidas de fundo com efeitos para as próximas décadas ou séculos. Só uma população esclarecida, e civicamente empenhada, poderá aceitar e promover a mudança necessária.
Por outro lado, mudanças de tal magnitude encontram resistência por parte de sectores que têm muito a perder, pelo menos no curto prazo.
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Quarta, 03 Outubro 2012 15:40 |
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por Paulo Borges
A tauromaquia, o combate do homem contra o touro, tem a sua origem na ritualização de intemporais mitos dualistas acerca do combate originário entre a luz e as trevas, o bem e o mal, o puro e o impuro, para que o cosmos vença o caos e a ordem predomine sobre a desordem. Estes mitos dualistas acerca do combate entre a luz e as trevas, o homem e o animal, expressam na verdade o sentimento humano, presente em todos nós, de uma divisão e um combate interno, entre a luz da consciência, da razão e da ética e as trevas da irracionalidade, dos instintos mais básicos e das emoções destrutivas. Num ciclo de civilização antropocêntrica como o nosso, o homem foi identificado com a polaridade positiva e o animal com a negativa, sendo muitas vezes convertido num bode expiatório da violência, do mal-estar psicológico-existencial e dos conflitos e tensões resultantes da repressão dos mais irracionais impulsos e instintos humanos em prol da vida em sociedade. Projectar a necessidade de luta e triunfo da luz sobre as trevas interiores, do melhor sobre o pior de nós, num combate exterior com um animal, como se humilhá-lo, torturá-lo e vencê-lo, pela dor e pela morte na arena ou no matadouro, tornasse alguém melhor, é uma manifestação grosseira de ignorância e do esquecimento da dimensão simbólica e psicológica daqueles mitos arcaicos.
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Terça, 04 Setembro 2012 19:53 |
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Artigo de opinião de Richard Warrell, Comissário Político e Vogal do Conselho Local de Oeiras do PAN
02 de Setembro de 2012, Torreira, Murtosa. O cavaleiro Marcelo Mendes avança com o seu cavalo para cima de um grupo de pessoas que se manifestavam pacificamente contra a realização de uma tourada.
30 de Agosto de 2012, Campo Pequeno, Lisboa. Nuno Carvalho, 26 anos, forcado, foi colhido quando tentava a pega do quinto toiro da corrida. Ficou paraplégico.
29 de Abril de 2012, Sevilha. O cavalo Xelim, do cavaleiro Rui Fernandes, morreu na arena em sequência de uma cornada.
A lista podia continuar enumerando inúmeras vítimas da violência gerada pelas touradas, sem sequer ser necessário falar nos óbvios touros, aos 6 em cada corrida.
Os recentes acontecimentos na Torreira deram muito que falar e ainda hoje continuam a fazê-lo. O impacto daquelas imagens, captadas pela Ribeirinhas TV e que tiveram ampla cobertura mediática (SIC, RTP, Público, Diário Digital e muitos outros fizeram notícia do caso) voltam a colocar no radar da sociedade em geral uma vasta e muito complexa questão que preocupa uma cada vez maior faixa de pessoas: os direitos dos animais. O próprio facto da Com. Social pegar neste tema é bem demonstrativo da maior consciencialização e da importância crescente que os direitos dos animais têm vindo a conhecer no mundo em geral, não estando limitada a grupos circunscritos de pessoas. Não são só os “veganos” nem os “radicais de esquerda” nem os “animalistas” nem os “hippies” nem o “pessoal da PETA” nem os apologistas da “A.L.F.” nem os “drogados de esquerda” que se preocupam com o sofrimento alheio e que lutam para acabar com ele, como alguns grupos tentam fazer crer.
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Sexta, 10 Agosto 2012 00:07 |
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por José Sousa
O problema da dívida soberana e das ditas medidas de austeridade tem sido tratado de uma forma frequentemente moralista , ao procurar culpabilizar os estados, desviando a atenção da verdadeira origem da crise. Desde logo se impõem alguns comentários prévios:
– se é verdade que alguma da despesa pública é de duvidosa utilidade, o problema do endividamento público tem raízes que se devem procurar no assalto ao Estado por parte de interesses corporativos e pela especulação financeira;
– a tendência de redução de impostos verificada nas últimas décadas para os escalões de rendimentos mais altos e para as empresas, quer pela redução de taxas quer pela evasão fiscal facilitada pela proliferação de paraísos fiscais, privou os estados de receitas substanciais, contribuindo também para o grande crescimento das desigualdades na distribuição do rendimento;
– a promoção do comércio livre, em particular com a China, serviu também para fragilizar o poder negocial dos sindicatos e reduzir a parte do rendimento nacional atribuída ao trabalho. A abundância de recursos para o investimento que adveio daquela distribuição crescentemente desequilibrada entre capital e trabalho e a necessidade de crescimento inerente ao sistema económico capitalista fomentaram o sobreinvestimento e as bolhas: a das dot.com, a bolha imobiliária, etc.;
– a desregulação do sistema financeiro a partir dos anos 80 permitiu a expansão do crédito como sucedâneo do salário para manter a economia em crescimento.
É portanto hipócrita o posicionamento moralista sobre a dívida.
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Sexta, 03 Agosto 2012 11:49 |
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Orlando Figueiredo - Vogal da DN
A crise tem sido um dos temas da ordem do dia nos anos mais recentes. Saber que o seu desenvolvimento se deu num contexto em que os governos e os estados-nação perdem poder face aos interesses unilaterais e ditatoriais dos mercados conduz-nos ao questionamento da origem da crise. Se a reflexão sobre as soluções para sair da crise económica é pertinente e inadiável, a compreensão do que está na sua origem poderá ser um forte impulso no desenho dessas soluções.
Contudo, para compreender as origens da crise teremos de discutir a mundividência que está subjacente às sociedades globalizadas onde esta se instala e desenvolve. Esta forma particular de olhar o mundo tem as suas raízes na modernidade europeia e acentua-se com o surgimento e o desenvolvimento da Revolução Industrial. Associada às visões mecanicistas da ciência suportadas pela física newtoniana e pelo racionalismo cartesiano, a modernidade olha o mundo como um mecanismo onde é possível, conhecendo os valores das variáveis do estado inicial, prever estados futuros concretos e objectivos. A única incerteza que daqui advém deve-se à falta de rigor dos instrumentos de medida, nunca a comportamentos inesperados do sistema ou à impossibilidade de os modelos teóricos contemplarem todas as variáveis em jogo. Os modelos teóricos são tidos como uma leitura objectiva e inequívoca do real.
A adicionar a este universo mecânico surge a interpretação enviesada das teorias evolucionistas propostas por Charles Darwin no século XIX. A ideia de sobrevivência do mais apto acaba por se transformar na sobrevivência do mais forte e institucionaliza a competição como forma de organização social. No paradigma competitivo desenvolve-se uma ideia bélica do mundo onde, não existindo outras alternativas, é preferível comer a ser comido. A competitividade assume formas múltiplas no contexto da organização social e, no século XIX, torna-se o sustento do sistema capitalista que assola o sistema económico global. A competitividade começa na escola, onde os alunos são encorajados a competir pelas melhores notas para conseguirem lugares nas melhores universidades, que lhes fornecerão as melhores ferramentas para serem mais competitivos e conseguirem sucesso no desempenho das suas funções profissionais; a centralidade é sempre colocada no indivíduo e as ferramentas de que ele se apropria ao longo da sua vida académica destinam-se a torná-lo mais forte na competição com os seus pares, tornando a sociedade onde se insere mais forte que as restantes sociedades e culturas. O isomorfismo de ideias entre a organização do mundo não-humano e do mundo humano é bem evidente. No mundo não-humano o senso comum vê apenas o leão que persegue a gazela, os abutres que disputam o melhor pedaço da carcaça ou o macho mais forte a conseguir copular com um maior número de fêmeas e a deixar os seus genes a um maior número de descendentes que os seus rivais. Talvez a ideia isomórfica que mais contaminou o senso comum seja a da “selva urbana” ou “selva de betão”, que confere um significado de ambiente hostil e competitivo às comunidades urbanas e usa o termo “selva” em analogia com o ambiente da selva original O paradigma competitivo, em que as sociedades globalizadas operam, vê o mundo não-humano como um local imperfeito, pouco eficiente, que é preciso arranjar e gerir de forma a melhorar a sua eficiência, do ponto de vista humano; a tecnociência é o instrumento que permite tal correcção. A metáfora da batalha e da luta faz-se sentir um pouco em todas as áreas dos saberes e manifestações sociais. Se olharmos para a medicina, por exemplo, a doença é vista como um mal a combater, um inimigo que põe em causa os nossos interesses. Não estou a colocar em causa a necessidade de tratamento e cura em caso de doença; o que questiono é a perspectiva bélica subjacente ao conceito de doença. Noutros contextos culturais, menos colonizados pela perspectiva da ciência moderna, em particular nas mundividências orientais tradicionais, a doença não é vista como um mal a combater, mas como uma desarmonia de um corpo que necessita de reencontrar o equilíbrio.
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Sexta, 27 Julho 2012 09:57 |
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por Fátima Mano - Coordenadora do GT Animais de Companhia
Com as temperaturas de Verão a subir, os seus animais de estimação precisam de si para os proteger. Saiba como ajudar o seu animal nesta época do ano.
A maioria das pessoas gosta de passar os dias mais quentes a desfrutar do ar livre com amigos e familiares, mas é importante lembrar que algumas actividades podem ser perigosas para os nossos animais de estimação. Ao seguir algumas regras simples, é fácil mantê-lo seguro e ainda divertir-se ao sol.
Aqui estão algumas dicas que podem garantir aos seus animais de estimação um Verão sem riscos:
Golpe de calor - Todos os animais podem sofrer um, mas são particularmente susceptíveis os que são muito jovens ou muito idosos; animais com focinho achatado e curto; animais com excesso de peso e os que já sofrem de problemas respiratórios ou cardiovasculares.
Para o evitar deve:
* Manter sempre água limpa e fresca à sua disposição. * Se ele se encontrar num "canil" ou espaço interior, deve haver ventilação ou circulação de ar. * Se estiver no exterior deverá ter locais com sombra onde se possa refugiar. * Nunca deve deixá-lo fazer exercício nas horas de maior calor. * Nunca o deixe fechado no carro, nem com as janelas abertas. É uma armadilha fatal.
- Se notar que ele tem respiração ofegante e saliva em demasia, ou/e se encontra ansioso ou com olhar arregalado, não responde às suas ordens, tem a pele seca e quente, febre alta, batimento cardíaco acelerado, fadiga ou fraqueza muscular, pode estar a sofrer um golpe de calor que lhe pode ser fatal. Tente reduzir a temperatura, colocando-o em água fria ou colocando-lhe sacos de gelo no pescoço e na cabeça. De seguida, leve-o ao veterinário.
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Sexta, 27 Julho 2012 08:48 |
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Artigo de Opinião
por Daniela Velho - Membro do CJN
Abordagem holística da questão humanitária, animal e ecológica
Parece cada vez mais incontornável a necessidade de o homem se ver a si próprio como um habitante deste planeta e deste cosmos a par de tantos outros que dele se distinguem (pelo menos ao nível mais grosseiro da nossa perceção) mas onde todos merecem um respeito e um reconhecimento de dignidade que transcende as fronteiras da espécie e dir-se-ia mesmo quaisquer fronteiras que sejam fruto da atribuição de um valor, que não é atribuível porque é inato, em função de um qualquer parâmetro de aferição de valores arquitetado à escala humana.
A visão que temos do mundo e dos seres deverá privilegiar a perspetiva da universalidade daquilo que é comum a todos e não da especificidade das características do homem.
É assim indispensável que tenhamos uma visão integrada e uma consciência da interdependência de tudo, reconhecendo a existência de um valor inerente das coisas, que subsiste por si e em si independentemente do entendimento que dele possamos ter.
Resta-nos pugnar pela necessidade de uma abordagem holística das questões humanitárias, animais e ecológicas em que a sustentação e preservação do habitat natural se mostra do interesse de todos e onde o homem reconhecendo a sacralidade de toda a vida com a qual mantem uma ligação de interdependência, busca harmonizar-se com a natureza e com os animais não-humanos numa relação de aceitação, respeito e cooperação.
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Sexta, 20 Julho 2012 15:55 |
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Artigo de Opinião
por Daniela Velho - Membro do CJN
Mudança de paradigmas – Transcender o radicalismo antropocêntrico
A forma como, em geral, se encara a questão da relação dos homens com os animais não humanos e com a natureza é fruto de visões políticas, filosóficas e religiosas decisivas que se foram impondo ao longo da história e encontramo-nos, nos dias de hoje, assim como nos encontrámos no passado, limitados pela influência e impacto que as mesmas têm, ainda que de forma não explícita, na nossa vivência quotidiana.
Apesar da ideia relativamente generalizada de que o homem é superior a todos os restantes seres porque provido de uma racionalidade única e, como tal, possuidor do direito de dispor de uma forma (relativamente) livre de tudo quanto existe, na perspetiva de que o que existe é para o servir, é inegável que as preocupações quer ecológicas quer pelo estatuto dos animais têm crescido exponencialmente e provocado nos últimos tempos debates cada vez mais acesos e emotivos.
Assim, se por um lado assistimos nos dias de hoje a uma exploração cruel e sem precedentes dos animais e da natureza, fruto de uma sociedade de consumo cada vez mais exigente, impiedosa e voraz, assistimos, por outro, a um positivo e frutuoso florescer de uma certa preocupação ética que se vai impondo paulatinamente mas, crê-se, de forma irreversível.
Torna-se cada vez mais evidente a importância de transcender o radicalismo antropocêntrico centrado em paradigmas de superioridade da espécie, autonomia e razão triunfante que ainda governa as nossas visões do mundo e onde a bioética, enquanto ciência transdisciplinar e dinâmica em busca de novas abordagens éticas para as questões da humanidade (que são cada vez mais as questões de tudo e todos) tem o papel decisivo e pioneiro de desbravar o terreno onde renovadas, frutuosas e inspiradoras ideias possam referenciar o comportamento do homem perante os seus semelhantes, numa nova, inclusiva, não discriminadora e abrangente relação de humanidade.
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Sexta, 04 Maio 2012 16:08 |
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Artigo de opinião de Orlando Figureiredo, vogal da Direcção Nacional do PAN
O escândalo que envolveu recentemente a Casa Real Espanhola levou-me a escrever esta pequena reflexão. Pessoalmente, não tenho grandes dúvidas em classificar de grotesco e boçal o comportamento de Juan Carlos I. A legalidade do acto não está em causa, o que está em causa é a sua moralidade. É precisamente nesta fronteira que parecem emergir alguns conflitos entre os que defendem o direito individual à vida e os que reclamam que o equilíbrio do ecossistema é um bem maior e que, se necessário, é aceitável o sacrifício de alguns espécimes. No entanto, parece-me que o que de facto está em discussão é a Intendência que, legitimamente ou não, a espécie humana decidiu assumir sobre o mundo natural e que me proponho a discutir a partir de três perspectivas distintas: a intendência enquanto direito; a intendência enquanto dever e o equívoco da presunção de intendência. O direito à intendência humana do mundo natural suporta-se no antropocentrismo ocidental legitimado por uma mundividência judaico-cristã onde a centralidade do Homem (que se confunde com o homem) é um direito divinamente concedido. O mundo é criado ex nihilo por Deus e entregue à intendência humana: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” Génesis (1:28). O empreendimento científico da Europa pós medieval desenvolve-se num contexto do antropocentrismo judaico-cristão. É neste contexto histórico, tomando por garantido que toda a criação existe para o bem da humanidade, legitimando o domínio humano sobre o mundo não humano como o direito e poder, divinamente concedido, de apropriação e uso do mundo natural em benefício próprio, que o inglês Francis Bacon (1561 – 1626) procura implementar a Instauratio magna (Grande Restauração) acabando por banalizar a ideia de que a ciência é O Instrumento através do qual a humanidade poderá cumprir o destino que Deus lhe reservou e explicitou no livro do Génesis (1:28). Esta instrumentalização baconiana do empreendimento científico perpetua a ideia de descontinuidade biológica dos humanos em relação às outras espécies, que se havia enraizado na mundividência da Europa medieval, e é sublinhada por outros pensadores como o francês René Descartes (1596 — 1650) que atribui à espécie humana a exclusividade da razão e da senciência.
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Sexta, 06 Abril 2012 10:18 |
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Artigo de Opinião de Sandra Cardoso, Comissária Política Nacional
Estamos na semana Santa, que culmina no almoço de domingo de Páscoa onde se reúnem as famílias à mesa. Pais e filhos, avós, tios, amigos, namorados, primos, celebram o amor, paz e tranquilidade.
Com estas palavras não é a minha intenção tirar um segundo da paz ou do amor que possam ter neste dia, apenas pretendo relatar-vos o outro lado, o lado do animal que em muitas mesas vai estar presente, porque afinal diz-se ser uma tradição comer o cabrito ou borrego nesta refeição.
Quero apenas descrever o que vi, o que acontece, o que está neste preciso momento a acontecer, e tal como eu, possivelmente você não sabe… ou não sabia.
Em Portugal, milhares de ovinos e caprinos têm o seu ciclo reprodutivo sincronizado tendo já em conta o pico de consumo nesta altura do ano. Dados do INE de 2007 indicam a existência de um efectivo de pouco mais de 2 milhões de cabeças de gado ovino e de 350 mil cabeças de gado caprino em Portugal. Neste momento, dezenas de milhares de mães ovelhas e cabras, muitas já experientes, outras mães pela primeira vez, estão já com os seus filhotes, frequentemente apenas uma cria. Encontram-se em explorações intensivas onde estão em grandes grupos, confinadas a pequenos espaços, longe dos seus comportamentos e necessidades naturais, ou em extensivo, com espaços maiores e mais perto do seu habitat natural, mas muito controladas pelos humanos.
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