UE deixa de comercializar produtos cosméticos testados em animais

11 de Março é um dia histórico para a Causa Animal - a partir de hoje a União Europeia deixou de comercializar produtos cosméticos, que são testados em animais. Foram necessários 23 anos de campanha activa junto da Comissão Europeia, da organização ECEAE (The European Coalition to end Animal Experiments), com o apoio de ONG's como a Cruelty Free International e de marcas como a Body Shop, para este feito ser alcançado.

Algumas marcas de cosméticos tentaram ter isenções por parte da Comissão Europeia para poderem continuar a testar nos animais. Se estas marcas tivessem ficado isentas, podia significar mais uma década em que milhares de coelhos, ratos e porquinhos da índia seriam injectados, gaseados e alimentados à força, em nome de um ideal de beleza fútil e cruel.

Este método de testar os produtos  tornou-se obsoleto por razões científicas e económicas – actualmente existem alternativas mais fiáveis, rápidas e baratas – mas também pelo desenvolvimento de uma consciência social que, cada vez mais, denota preocupações com o bem-estar dos animais não humanos.

Por exemplo, para testar irritações na pele existem testes alternativos como o modelo EPISKIN (uma reconstituição da epiderme humana) e que tem uma maior fiabilidade que o teste original Draize, que constituía em testes cruéis nos coelhos.

 

 

Contudo, existe ainda um longo caminho a percorrer para banir definitivamente a experimentação animal de todos os produtos cosméticos e na indústria farmacêutica. Segundo dados da ECEAE, 12 milhões de animais ) são usados anualmente nos Laboratórios Europeus; são 137 animais testados de forma cruel, a cada 10 minutos.

Também na área da investigação biomédica, já existem métodos alternativos à experimentação animal. Foi recentemente realizado em Portugal a 1.ª Conferencia Internacional de Alternativas à Experimentação Animal, onde foram abordadas as Políticas 3Rs relativas à utilização de modelos animais,  as metodologias in silico e in vitro e outros métodos inovadores.

Ainda assim, em Portugal continuam a ser realizadas intervenções sem anestesia, sujeitando os animais a graus de sofrimento mais elevados do que muitos investigadores admitem. Esta situação só persiste devido à,  negligência e cumplicidade da autoridade competente pela fiscalização e aplicação da lei vigente (Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária).

Esta situação é também perpetuada pelo tipo de ensino praticado em Portugal, onde, ao contrário da tendência internacional (ex.: Norte da Europa, EUA, etc.), os modelos animais continuam a ser uma das  ferramentas mais utilizadas.

O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), promove uma petição pela substituição da experimentação animal por alternativas, que até à data já conta com 6.500 assinaturas. Esta petição tem como objectivos a proibição do financiamento com dinheiros públicos de investigações invasivas em animais; a canalização de fundos existentes para a construção de um centro 3R responsável pelo desenvolvimento de alternativas à experimentação animal e pela promoção da política dos 3R - replacement (substituição), reduction (redução), refinement (refinamento); a proibição do uso de animais para experimentação em todos os estabelecimentos de ensino (escolas e universidades); a proibição da aprovação de quaisquer projectos que envolvam ensaios pré-clínicos com animais e a proibição da construção de novos biotérios em todo o território nacional e encerramento progressivo dos actualmente existentes.

Chegou a hora de Portugal acompanhar a evolução que se faz sentir a nível Europeu e Mundial e banir definitivamente a experimentação animal. Pelo bem de tudo e de todos.

Assine aqui a petição - http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=experani

Fontes:

The European Coalition to end Animal Experiments

Go Cruelty Free

Cruelty Free International

International Conference of Alternatives to Animal Experimentation

Sociedade Portuguesa para a Educação Humanitária