PAN propõe esterilização dos javalis da Arrábida Foto captada por C3

PAN propõe esterilização dos javalis da Arrábida

Setúbal, 15 de Abril de 2015 – Na sequência de uma reunião entre quadros do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e elementos do PAN da Península de Setúbal, o ICNF está a ponderar recorrer a técnicas de esterilização dos javalis da Arrábida, por sugestão do PAN.

Na reunião, que teve lugar a 10 de Abril nas instalações do ICNF em Setúbal, participaram Maria de Jesus Fernandes, diretora do departamento de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, Eduardo Carqueijeiro, chefe da divisão de licenciamento, Rui Pombo, chefe da divisão de gestão operacional, e os elementos do PAN Luís Humberto Teixeira, Pedro Tereso e Suzel Costa.

"A sugestão do recurso à esterilização partiu do PAN que, sabendo que esta solução é usada em contextos internacionais, a sugeriu ao ICNF, o qual acolheu a ideia com entusiasmo, mostrando-se disposto a incluir essa opção no plano de acção que irá concluir e candidatar a programas de financiamento nacionais e europeus ainda este mês", afirmou Pedro Tereso, comissário da estrutura local do PAN na Península de Setúbal, complementando que "das várias opções de controlo populacional, a esterilização é, claramente, a mais ética".

Em virtude do aumento demográfico da população de javalis, que é já de largas centenas, segundo o ICNF, aquele organismo público criou um grupo de trabalho - que envolve ainda a Protecção Civil, o SEPNA, a Junta de Freguesia de Azeitão e os moradores da Arrábida - e está a estudar "acções urgentes de controlo de situações de conflito, dada a necessidade de conciliar os valores florísticos específicos da Arrábida, a restante fauna e a presença humana com a existência de uma população sustentável de javalis".

Também estão a ser ponderadas acções de educação da população, para que as pessoas não alimentem os animais, pois isso habitua-os a "guloseimas e comida fácil" que nem sempre é a mais adequada ao seu organismo, e saibam como se comportar de modo a evitar situações que causem stress aos animais e os façam agir de forma perigosa para os humanos. São igualmente importantes as acções de limpeza das matas e das praias.

 

Sobre os javalis da Arrábida

Depois de terem desaparecido da região na década de 1950, os javalis voltaram a ser vistos na Arrábida no final do século passado, sendo hoje comuns um pouco por toda a península de Setúbal. Segundo o ICNF, desde 2012 que as condições naturais têm sido propícias a uma explosão demográfica dos javalis na Arrábida, dada a elevada produção de bolota, havendo registo de javalinas com 8 crias em bom estado de desenvolvimento.

Essa explosão tem levado a que os animais percorram zonas que estão ocupadas por pessoas, provocando danos em produções agrícolas. Perante as queixas dos agricultores, o ICNF tem passado credenciais para que estes, ou portadores de licença de posse de arma por eles indicados, possam abater javalis nas propriedades em que os prejuízos ocorreram, reportando obrigatoriamente o número de javalis abatidos de três em três meses. Durante o ano de 2014, o número de javalis abatidos por este meio foram 110, revelou o ICNF.

Reconhecendo que o abate não é uma solução eficiente, o ICNF tem ultimamente optado por acções de espera dos javalis, nas quais os capturam e deslocalizam para propriedades amplas e vedadas no sul do Alentejo, uma solução que o PAN considera preferível ao abate mas, ainda assim, não a ideal, pois muitas dessas áreas são zonas de caça.