A Representação Parlamentar do PAN/Açores reuniu, na passada terça-feira, com a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel com o intuito de auscultar as preocupações da mesma, bem como aprofundar e dar a conhecer a execução das medidas do partido, nomeadamente o alargamento do serviço de vídeo interpretação em tempo real entre pessoas surdas e ouvintes a toda a Administração Pública Regional, a par do reforço da bolsa de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa, inscrita no último Orçamento Regional – medidas que visam corrigir desigualdades persistentes no acesso à comunicação, à informação e aos serviços públicos, promovendo a acessibilidade e a inclusão.
O encontro permitiu que o partido ficasse a par da recente realidade que a associação enfrenta, dispondo actualmente de apenas dois intérpretes, deixando a mesma numa situação de grande fragilidade, com impacto directo na vida da comunidade surda, que se vê frequentemente impedida de aceder a serviços essenciais, como consultas médicas, sem depender da disponibilidade pontual de intérpretes afectos a outros serviços – nomeadamente a comunidade escolar, cujo valor é, posteriormente, suportado pela própria associação.
A par disso, foram reportadas dificuldades da comunidade no acesso ao serviço de vídeo-interpretação implementado no HDES, designadamente: horário do serviço de vídeo-interpretação incompatível com necessidades de recurso à urgência em horário noturno; falhas de internet e de locais para colocação/suporte dos tablets disponibilizados, uma vez que o uso das mãos é essencial para comunicar. A par disso, a associação reportou, ainda, que a comunidade, por vezes, utiliza símbolos para se referir a determinados locais regionais ou outros, e que nem sempre o intérprete da plataforma tem conhecimento dos mesmos, pelo que, a aplicação não dispensa, em absoluto, a disponibilidade presencial de intérpretes.
Pedro Neves sublinhou ainda o parco financiamento atribuído pelo Governo Regional face ao volume de trabalho desenvolvido e ao facto de esta ser a única estrutura dedicada à comunidade surda em toda a Região, acumulando solicitações de apoio que excedem largamente a sua capacidade, pelo que urge rever a verba atribuída à mesma.
“A acessibilidade comunicacional não pode continuar a depender do acaso. As preocupações transmitidas pela Associação de Surdos revelam uma realidade que exige respostas públicas firmes, face à escassez de intérpretes, às dificuldades do dia-a-dia e ao financiamento insuficiente, que comprometem direitos básicos.”
